Artigo – O desenvolvimento do Pará também passa pelas nossas rodovias

Por José Salim, presidente da Rota do Pará

O Pará vive um momento decisivo. Nosso estado amplia sua relevância econômica, atrai novos investimentos e ocupa cada vez mais espaço nas discussões sobre desenvolvimento, produção e logística. Mas, diante de tantas oportunidades, uma pergunta precisa ser feita: temos a infraestrutura necessária para acompanhar esse crescimento?

Não há desenvolvimento sustentável sem infraestrutura. E, em um estado com as dimensões do Pará, falar de infraestrutura significa, necessariamente, olhar para as nossas rodovias.

As estradas fazem parte da vida dos paraenses. São caminhos percorridos diariamente por trabalhadores, famílias, produtores e empresas. Por elas circulam pessoas, alimentos, insumos e mercadorias. No Brasil, cerca de 65% das cargas e quase 95% dos passageiros dependem do transporte rodoviário, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). No Pará, onde as distâncias são extensas e os desafios logísticos ainda são significativos, a qualidade dessas conexões tem impacto direto na economia e na vida da população.

Por isso, precisamos deixar de enxergar rodovias apenas como faixas de asfalto. Uma estrada segura e eficiente exige cuidado permanente. Exige conservação, monitoramento, atendimento em emergências e capacidade de responder, todos os dias, às necessidades de quem está em trânsito.

É nesse cenário que o modelo de concessões rodoviárias tem uma contribuição importante a oferecer. Ao estabelecer compromissos de longo prazo para recuperação, operação e manutenção das vias, as concessões ampliam a capacidade de investimento em infraestrutura e permitem uma atuação contínua. Dados divulgados pela CNT em 2025 mostram que cerca de 63% das rodovias concedidas no Brasil são classificadas como boas ou ótimas.

No Pará, esse processo ainda é recente e, naturalmente, desafiador. Desde agosto de 2024, a Rota do Pará é responsável pela operação e manutenção de 526 quilômetros de rodovias entre Marabá e Belém, abrangendo trechos das PA-150, PA-475, PA-252, PA-151 e PA-483, a Alça Viária.

É importante reconhecer que décadas de demandas acumuladas em infraestrutura não são resolvidas da noite para o dia. Transformar a realidade de um corredor rodoviário dessa dimensão exige planejamento, investimento e, sobretudo, trabalho contínuo. É um processo que precisa ser acompanhado com responsabilidade, transparência e diálogo com a sociedade.

Os resultados começam a mostrar a dimensão dessa operação. Entre agosto de 2024 e junho de 2026, mais de 25 mil atendimentos foram realizados aos usuários das rodovias. São ocorrências médicas, panes elétricas e mecânicas, combate a incêndios e outras situações em que ter uma estrutura de atendimento disponível pode fazer diferença na vida de quem está na estrada.

Ao mesmo tempo, o trabalho preventivo avança. Já foram reparados mais de 520 km de pavimento, implantadas quase 7 mil placas e revitalizados 570 mil metros quadrados de sinalização horizontal. Mais de 15 milhões de metros quadrados de faixa de domínio receberam serviços de roçada. Cada uma dessas ações contribui para melhorar a visibilidade, a orientação e as condições de segurança nas vias.

Mas acredito que o verdadeiro impacto da infraestrutura deve ser observado também fora da rodovia. O corredor conecta diretamente 12 municípios paraenses e atravessa regiões fundamentais para diferentes cadeias produtivas. Quando uma estrada melhora, o produtor ganha eficiência, empresas reduzem incertezas logísticas e a população passa a contar com deslocamentos mais seguros e previsíveis.

Desde 2024, já geramos mais de 3.000 empregos diretos e indiretos. São impactos que ajudam a demonstrar como investimentos em infraestrutura podem movimentar a economia e gerar oportunidades nos territórios.

Outro benefício da concessão é o sistema de Desconto para Usuário Frequente (DUF), destinado a veículos de passeio com TAG eletrônica ativa, que pode reduzir a tarifa de pedágio em até 50%, conforme o número de passagens pela mesma praça, no mesmo sentido, durante o mês.

Ainda há muito a fazer. Reconhecer isso é parte da responsabilidade de quem assumiu o compromisso de cuidar dessas rodovias pelos próximos anos. O desafio é avançar continuamente, ouvindo os usuários, aperfeiçoando a operação e entregando uma infraestrutura cada vez mais compatível com as necessidades do Pará.

Nosso estado não pode permitir que os gargalos de infraestrutura limitem o seu potencial. Se queremos um Pará mais competitivo, integrado e preparado para o futuro, precisamos construir caminhos para esse desenvolvimento.

E esses caminhos, em muitos casos, começam pelas nossas rodovias.